Entendendo melhor sobre a Epilepsia

Entendendo melhor sobre a Epilepsia
0 27 dezembro 2018

A epilepsia é uma doença do sistema nervoso central onde ocorrem intensas descargas elétricas que não podem ser controladas pela própria pessoa, causando sintomas como movimentos descontrolados do corpo e mordida da língua, por exemplo.

É uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Se ficarem restritos, a crise será chamada parcial; se envolverem os dois hemisférios cerebrais, generalizada.

 

Causas da Epilepsia

Pode estar relacionada com lesão no cerebral, decorrente de traumatismo na cabeça, infecção (meningite, por exemplo), neurocisticercose (“ovos de solitária” no cérebro), abuso de bebidas alcoólicas, de drogas, etc. Às vezes, algo que ocorreu antes ou durante o parto. As causas que deram origem à epilepsia muitas vezes não são identificas encontrando-se em alguns casos “cicatrizes” cerebrais de causa ignorada.

 

Sintomas da Epilepsia

Os sintomas mais comuns de uma crise epilética são:

  • Perda da consciência;
  • Contrações dos músculos;
  • Mordida da língua;
  • Incontinência urinária;
  • Confusão mental.

Além disso, nem sempre a epilepsia se manifesta por espasmos dos músculos, como acontece no caso da crise de ausência, em que ao indivíduo fica parado, com olhar vago, como se estivesse desligada do mundo durante cerca de 10 a 30 segundos.

As crises convulsivas normalmente duram de 30 segundos a 5 minutos, porém existem casos em que podem permanecer por até meia hora e nessas situações pode haver uma lesão cerebral com danos irreversíveis.

 

Diagnóstico:

É feito pela história clínica, por exames de imagem (Tomografia e Ressonância) e por exames funcionais (Eletroencefalograma e Monitoramento Contínuo da Atividade Elétrica Cerebral (Holter Cerebral).

Exames como eletroencefalograma (EEG) e neuro imagem são ferramentas que auxiliam no diagnóstico. O histórico clínico do paciente, porém, é muito importante, já que exames normais não excluem a possibilidade de a pessoa ser epiléptica. Se o paciente não se lembra das crises, a pessoa que as presencia torna-se uma testemunha útil na investigação do tipo de epilepsia em questão e, consequentemente, na busca do tratamento adequado.

 

Como proceder durante as crises:

  • coloque a pessoa deitada de costas, em lugar confortável, retirando de perto objetos com que ela possa se machucar, como pulseiras, relógios, óculos
  • introduza um pedaço de pano ou um lenço entre os dentes para evitar mordidas na língua
  • levante o queixo para facilitar a passagem de ar
  • afrouxe as roupas
  • caso a pessoa esteja babando, mantenha-a deitada com a cabeça voltada para o lado, evitando que ela se sufoque com a própria saliva
  • quando a crise passar, deixe a pessoa descansar
  • verifique se existe pulseira, medalha ou outra identificação médica de emergência que possa sugerir a causa da convulsão
  • nunca segure a pessoa (deixe-a debater-se)
  • não dê tapas
  • não jogue água sobre ela.

É comum o espectador de uma crise epilética entrar em pânico, colocando, assim, o paciente em maior grau de risco. “O melhor é nada fazer e manter a calma”. Não tente parar a crise e cuide apenas para que a pessoa não se machuque, mantendo-a longe de qualquer objeto que possa feri-la ou colocando qualquer coisa macia sob a cabeça. Não coloque nada na boca. Deite-a de lado para que possa respirar bem. Espere que a crise termine espontaneamente e depois a deixe repousar ou dormir. Fique com a pessoa até que ela se recupere.

 

Observe alguns cuidados:

O epiléptico não deve cozinhar, pois os acidentes pessoais mais comuns e mais graves são os que envolvem fogo e fogão. Se for imprescindível, deve-se utilizar sempre a boca de trás do fogão, evitar frituras e água fervendo.
Evitar natação em rio, represa e mar. Em caso de crise, o socorro é muito dificultado. Em piscinas, só com supervisão.
Dirigir: há legislação específica para os epilépticos dirigir em veículos. É possível dirigir desde que a epilepsia esteja controlada e o paciente fora de crise há pelo menos dois anos.

O preconceito ainda é grande. Ignorância, superstições e mal entendidos inspiram medo infundado naqueles que assistem a uma crise. A melhor forma de esclarecer tudo sobre a doença é conversando com o médico. A Organização Mundial da Saúde (OMS), a Liga Internacional contra a Epilepsia (ILAE) e o Bureau Internacional das Epilepsias (IBE) têm trabalhado numa campanha global (Epilepsia fora das sombras), que também objetiva ajudar os portadores de epilepsia entender melhor sua condição, a analisar as razões do preconceito e, se não for possível eliminá-lo, pelo menos melhorar a qualidade de vida e o ajustamento psicossocial.

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